‘”Quero — ou não quero”

O plano evolucionário que acompanhou Paul nesta existência nos fornece muito material para reflexão.

Paul mora na Europa. A primeira vez que o vi, ele tinha seis anos de idade. De início tinha sido diagnosticado como autista, mas seus sintomas não correspondiam exatamente a esse perfil, embora ele raramente falasse e permanecesse retraído. Era considerado muito deficiente em termos de capacidade de aprendizado e ocasionalmente apresentava sérios problemas de comportamento.
Francamente, ninguém sabia o que havia de errado com ele.

Seus pais e seu terapeuta o trouxeram para mim, num fim de tarde, depois de um trabalho de workshop que eu acabara de fazer. No início, eu não conseguia fazer com que Paul me olhasse nos olhos, mas depois descobri que ele se abriria comigo se pudesse brincar nos tapetes do chão. A primeira coisa que ele fez foi tirar, metodicamente, as meias, os sapatos, as calças, a cueca, mas não a camisa e o suéter. O terapeuta comentou calmamente que ele nunca tinha feito aquilo antes.
Concordamos em ficar esperando para ver o que aconteceria.
Depois que fizemos amizade, eu o levei até um cavalete, onde eu estivera trabalhando com canetas coloridas, segurei-o pelas mãos e ajudei-o a desenhar várias formas com cores diferentes. Quando ele demonstrou interesse, eu me afastei para ter a perspectiva de que precisava para ver o seu campo áurico. Em inglês, pedi a ele que desenhasse um círculo verde e ele o fez. Depois, um quadrado roxo, e ele desenhou. Fiz isso várias vezes para me assegurar, e àqueles que estavam observando, que o que ele estava fazendo não era acidental. Isso porque aquela criança, que consideravam como alguém que dificilmente poderia ser ensinada em sua própria língua e que raramente se exprimia nela, estava obedecendo às minhas ordens em Inglês.
Quando olhei para sua aura, percebi que ela ocupava o seu corpo apenas o suficiente para fazê-lo mexer-se. A maior parte de sua energia estava concentrada em seu campo mental. Da cintura para baixo, sua energia era tão baixa que eu me perguntava como é que ele conseguia andar. Da cintura para cima, ficava cada vez mais forte. Acima da cabeça, pude ver a concentração do seu ser, ligada à vida de Paul, mas fazendo todo o possível para não se envolver com ela. Não é de admirar que ele tirasse a roupa da cintura para baixo. Ele estava passando por um check-up e sabia onde se encontrava o problema.
Paul não tinha vontade de estar no seu corpo masculino; na verdade, fazia uso de sua vontade extremamente forte para evitar encontrar-se no corpo mais do que o mínimo necessário. Tinha lembranças imprecisas de ter ocupado posições de mando nas quais empregara mal sua vontade e estava com medo dessa vontade e desse seu poder.
Finalmente, o menino deixou que eu fizesse contato com ele através dos olhos.
Pode-se fazer contato entre duas vontades por meio dos olhos, e, se esse olhar estiver carregado de amor, ele pode dar muito apoio e passar direto pela barreira das palavras. Em resumo, a mensagem que lhe enviei dizia: “Eu vejo você aí dentro. Respeito a sua livre escolha. Estou lhe enviando uma lembrança do amor e da Luz que você é.”

Às vezes, é a única coisa que se pode fazer por uma pessoa, embora se trate de algo muito eficiente. Antes que ele fosse embora, dei a Paul um pequeno cristal como uma lembrança concreta da prece de energia que eu estava fazendo por ele e também porque as crianças gostam de cristais. Um amigo meu chama-os “bombons da Terra”. Posteriormente, sua mãe me escreveu que ele colocara com muito cuidado o cristal em cima de uma fotografia dele — mais precisamente, em cima do coração — e não deixava que ninguém o tocasse.
Mais ou menos seis meses depois dessa visita, recebi um desenho de Paul.
Sua mãe acrescentou uma observação dizendo que Paul indicara que a figura era para mim, e acrescentou que ele raramente desenhava figuras. Ela contou que Paul pedira para “dizer à Gloria que ninguém vive nesta casa”. O desenho era de uma casa, mas era também claramente um pênis. No centro, onde deveria estar o plexo solar, havia linhas vermelhas dentadas e, no topo, havia uma janela minúscula, a única que permitia uma visão para fora da “casa”. Visto que o amarelo é a cor do corpo mental, sua figura confirmava o meu sentimento de que a vontade de Paul residia no seu eu mental — um eu extraordinariamente brilhante — mas que ele se recusava a infundir essa vontade no seu eu como um todo.
Eu sabia que Paul tinha devolvido o problema para mim. Então, dei ouvido aos meus instintos, confrontando-os com a opinião de dois psicólogos que trabalham com crianças, e decidi fazer o seguinte: recortei todos os tipos de figuras e colei-as em folhas de papel de 20 cm x 25 cm — havia cachorros, gatos, brinquedos, ursos de pelúcia e até mesmo um anjo. Enviei tudo isso a ele junto com uma carta dizendo que muitas coisas poderiam morar na sua casa se ele quisesse, mas que ele teria de escolher o que queria.
Eu sei que a vontade dele é seu direito congênito divino e ninguém que obedeça à lei universal pode interferir nisso. Tudo o que podemos fazer é amá-lo e oferecer-lhe oportunidades, apoio, técnicas e tempo. Seria presunção de minha parte dizer que eu sei o que é melhor para Paul. Ele está considerando outras opções para aquilo que está fazendo e continua atraindo, para sua vida, pessoas que lhe oferecerão opções.
Talvez esta encarnação seja um momento decisivo na sua evolução. Talvez ele precise de uma encarnação para permanecer neutro e observar. Decididamente ele não quer ser um menino. Mas eu nunca tive a impressão de que quisesse ser uma menina. Quaisquer que sejam os objetivos a longo prazo desta encarnação, ele certamente está se instruindo sobre o poder da vontade.

As 7 Etapas de Uma Transformação Consciente, p. 97

Foto: Hansworld

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