A história de John

John é um médico que está perto dos quarenta anos. Ele assistiu a um curso no qual eu estava discutindo este modelo. E foi assim que aconteceu uma de suas mudanças: Sua forma era a de que a razão de ser das mulheres era servir aos homens. Era isso que todas as mulheres de sua família faziam. Seu desafio chegou quando ele começou a namorar e percebeu que todas as mulheres que o atraíam eram brilhantes e criativas, e não estavam nem um pouco interessadas em servir aos homens. A resistência veio quando percebeu que, embora se sentisse atraído por mulheres que sentia serem intelectualmente iguais a ele, era intimidado por elas.

Depois de alguns encontros com uma mulher liberada, ele corria de volta à segurança de uma mulher que respondia “sim, senhor” a cada pedido seu. Seu despertar veio quando ele encontrou Susan e se apaixonou. Ela estava estudando medicina e tinha a firme intenção de atingir esse objetivo. Seu compromisso veio quando se casou com Susan.
Sua purificação veio através da vida diária no casamento. Embora fosse inteiramente dedicado a Susan, tinha de enfrentar o fato de que ainda nutria muitas suposições a respeito do que uma esposa deveria ou não ser. Ele me disse que a maior parte dessas suposições era inconsciente. Às vezes, surgiam quando decisões importantes tinham de ser tomadas, assim como mudança na carreira, escolha de investimentos e outras áreas que ele cresceu acreditando que eram escolhas masculinas. Outras vezes, as antigas atitudes eram mais sutis e insidiosas —  ressentimentos quanto ao fato de Susan trabalhar até tarde, ter de partilhar as tarefas domésticas, não ter, como ele dizia, “a última palavra em tudo”.
John levou muitos anos de terapia para saber lidar com a fase de purificação. Disse que muitas vezes quis abandonar tudo e que, se um deles estivesse menos comprometido com relação ao outro, eles nunca teriam passado pela purificação. Mas passaram e, quando ele contou isso, disse que já não conseguia mais imaginar a intimidade do casamento sem uma parceira igual. Todo o seu ser, a sua nova forma, está agora submetido à sua crença atual num relacionamento em pé de igualdade.
Depois da purificação, nós efetivamente nos tornamos a nova crença. Ela se torna a nossa respiração, um “dado” na nossa visão do mundo. Num estágio anterior, pudemos reconhecer nossos “inimigos” interiores — os hábitos que mantêm intactas nossas velhas formas —, mas eles provavelmente bateram em retirada quando transferimos a autoridade para outra crença. Durante a purificação, esses velhos hábitos têm de ser expulsos. Mais do que isso, para se transformar, eles têm de morrer. Mas isso não pode ser um ato de violência. Um antigo paradigma vicioso não se transforma através da violência. Na verdade, isso apenas o energiza. Quando cerramos os dentes e juramos que nunca mais vamos ter algo que ver com o jogo, os preconceitos de nossa mãe, as pessoas que são ruins para nós, então tudo o que conseguimos pensar é no jogo, nos preconceitos de nossa mãe e nas pessoas que são ruins para nós. Quanto mais impetuosamente insistirmos em nunca mais fazer determinada coisa, tanto maior é a probabilidade de que isso ainda esteja lá dentro, à espera. Até que esses hábitos sejam transformados, de um modo ou de outro, eles acabam voltando à superfície. Às vezes, eles surgem com vigor em coisas de que gostamos ou de que não gostamos.
Uma das maneiras de se saber se um hábito ainda subsiste é quando você descobre que fica muito irritado ao ver seu “antigo” comportamento nos outros. Pode ser que você não o demonstre, mas ainda o tem. A energia que trancou esses vícios e os mantêm onde estão não se alterou absolutamente. Você pode preferir livrar-se dos sintomas mas, se não penetrar inteiramente nas causas, eles apenas vão ficar esperando para se manifestar de outras maneiras mais indiretas.

As 7 Etapas de Uma Transformação Consciente, p 225

Foto: JD Hancock

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