Para Daisy (ou CA X Câncer)

Ontem recebi um telefonema de uma amiga querida, Walkíria, que me disse, depois de várias delongas, que nossa amiga em comum, Daisy, havido morrido há alguns dias. Seu “CA”, inicialmente de mama, se espalhara por todos os órgãos internos, e depois de sofrer muito, ela finalmente se deu paz.

Fazendo um pequeno parêntesis, esclareço que Wal não falou “CA”, ela mencionou a palavra “câncer” com todas as letras, muito bravamente por sinal, pois faz tempo que eu não escuto alguém sendo tão sinceramente explícita. Geralmente, as pessoas têm tanto medo, tanto do CÂNCER  quanto da MORTE em função dele,  que nem conseguem mesmo falar tais palavras e acabam por, no primeiro caso, falar apenas “CA”, na esperança de tal mal não escutá-las e ir atrás delas, se a palavra for dita em sua íntegra (penso eu). Vou apenas procurar refletir sobre esse primeiro fato, neste Post. Em outra oportunidade falarei sobre o medo da “morte”.

Daisy foi uma amiga em comum, como já disse, e trabalhamos todas juntas (eu, Wal e ela) em uma empresa “transnacional” que nos tirava o sangue. Eu pedi demissão após 3 anos de exploração, pois decidi ter uma vida própria, mas só depois de ter desenvolvido em meu estômago várias úlceras pequeninas em função do trabalho aniquilador que odiava; Walkíria se afastou para ter seu filho mais novo, e a Daisy já havia saído há um ano quando eu me demiti, pois descobrira que tinha um tumor maligno em uma das mamas.

Lembro-me que conversamos muito a respeito de sua descoberta fatídica, e tanto eu quanto a Wal procuramos ampará-la na busca de entender (energeticamente) por que desenvolvemos o câncer de mama. Vou relatar o que descobrimos, à luz de Luiz Gasparetto e Valcapelli, entre outras pesquisas, para suscitar aqui alguma reflexão sobre a metafísica da saúde relacionada ao câncer de mama, em homenagem à querida Daisy.

Valcapelli & Gasparetto, no livro “Metafísica da Saúde” (Ed. Vida e Consciência, 2002,p.148), relacionam as glândulas mamárias com feminilidade, afetividade, capacidade de entrega e doação. Para eles, as mamas, metafisicamente falando, representariam a identidade feminina, refletindo a coragem e o vigor da mulher para agir no meio em que vive. Quando a mulher preserva sua meiguice e é espontânea para manifestar o que sente, metafisicamente ela cultiva a saúde mamária. No entanto, muitas vezes a mulher passa a se mobilizar apenas em favor dos outros que ama e esquece de si mesma, vivendo em função daqueles  que a rodeiam, sufocando assim sua essência. Quando isso acontece, a mulher passa a depender da aceitação e da aprovação dos outros (op cit, p. 149) e faz tudo para ser reconhecida e tratada mais afetuosamente, esforço que gera uma lacuna afetiva entre sua auto-estima e seu amor próprio. As condições internas desencadeadoras do câncer de mama, nesse sentido, estariam relacionadas metafisicamente a profundas mágoas, que fazem com que a mulher reviva com frequência os ferimentos emocionais que se causou. Assim, os traumas no relacionamento tornam-se marcantes em sua vida afetiva, e intensos bloqueios impedem-na de ser feliz e realizada afetivamente, uma vez que a mulher não consegue se doar a alguém querido. Torna-se uma mulher cismada, com medo de ser enganada por quem gosta, permenecendo sempre na retaguarda, e a frieza da indiferença é acentuadas nas relações afetivas.

Algumas mulheres que apresentam esses bloqueios evitam vínculos afetivos, não gostam de estabelecer relações mais profundas. Acabam por se empenhar no trabalho como sendo seu reduto de realização, para compensar as frustrações emocionais.

(Foto: Zoha_n)

Continua…

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