Superando a Inércia

O seguinte diálogo com Bashar foi transcrito por Andy (Bashar´s List) a partir do workshop  “Superando a Inércia”, de 1988.

Pergunta: Creio que você definiu “abundância” como “ser capaz de fazer aquilo que precisa, quando precisa”. Mas nessa definição não se inclui  “ser capaz de fazer o que você quer fazer e quando o quiser”. Como conciliar as duas coisas? Mas antes de responder…(gargalhadas da platéia)…entenda que é uma pergunta retórica, porque eu queria respondê-la antes que você abrisse a boca do Darryl…

(Bashar abre a boca do Darryl)

Pergunta: Você me pegou Bashar…o que mais posso dizer?

Bashar: Compartilhe.

Pergunta: Bem, eu acho que tem a ver com o que você se referiu como sendo “uma ordem consciente”.

Bashar: Muito bem, continue.

Pergunta: E eu fiquei explorando isso, e de uns anos pra cá eu mantive uma atitude positiva de confiança e fé, acreditando que se eu agisse a partir do meu excitamento e pensasse positivamente, que as coisas iriam se acelerar de verdade e se desenrolar muito bem. Eu estou nessa fase em que não estou tendo essa experiência, e estou questionando as crenças e atitudes que tive em relação a tudo, e  tudo se resume ao fato de eu acreditar que tenha usado a “ordem consciente” para conseguir aquilo que quero, quando quero, mas aparentemente o que tenho conseguido é ter aquilo que preciso, quando preciso. Eu não gosto disso, só. Eu quero mais.

Bashar: Ah, então agora você está nessa encruzilhada, e nós ficamos imaginando quando alguém iria pegar essa ideia da diferença de definição entre o “precisar” e o “querer”, como você fez. Tudo está centrado na definição da ideia, no alinhamento das definições do “querer” e do “precisar” e na operação em um nível em que  esses verbos se tornem, de alguma forma, a mesma coisa. Isso pode se desenrolar em muitas direções: pode se consolidar na ideia de simplesmente desfrutar-se de tudo o que aparece, pois se está lá é porque vale a pena — esse é um nível– e ao mesmo tempo, ao ir por esse caminho, você pode estar tendo exatamente o que quer, exatamente quando quer, da forma exata que quiser, pois não há, na verdade, razão para que você não o possa ter dessa forma, quando tudo vem do Amor Absoluto e Incondicional, e não de uma ideia de um Ego negativo. Uma vez esclarecido isso, não há nada que o faça parar e você chega ao ponto de reconhecer que não precisa haver uma diferença entre o que você chama de “precisar” e “querer” , o que pode lhe impulsionar intensamente a reconhecer que você realmente tem a capacidade de, como você diz, milagrosamente e magicamente manifestar o que você quiser e quando o quiser. Você verdadeiramente abriu a porta, ao reconhecer primeiramente que os dois termos podem ser intercambiáveis.

(A Fita é cortada durante a resposta, mas tem a ver com as diferentes definições de necessidades e desejos)

Bashar: As “necessidades” são geralmente definidas pela sua sociedade como algo que está aquém de seus desejos. “Querer”  é geralmente definido como algo que está além de suas necessidades.

Pergunta: Sim, isso é verdade.

Bashar: Continue, você está se aprimorando.

Pergunta: Se as necessidades de alguém são definidas em um nível a que não têm acesso … Digamos que nossas necessidades sejam a experiência de privação … já tocamos nisso antes … e se dissermos “Eu não quero me sentir privado, eu não quero experienciar essa privação “, mas em um nível superior a Consciência lhe diz que você vai  experienciar as privações.

Bashar: Não, não, não, você terá a noção, os ensinamentos e as informações da idéia, desse conceito que você chama de privação.

Pergunta: E não é a mesma coisa que “experienciar”?

Bashar: Fisiologicamente, não necessariamente. Lembre-se da analogia da biblioteca.

Pergunta: Ok, tudo bem.

Bashar: Ao experienciar a privação fisiologicamente, como dissemos antes, você poderá entender porque escolheu mostrar a si mesmo essa experiência fisiologic e poderá então determinar que vai experienciar essa energia, essa informação e receber tal conhecimento sob outra forma de experiência. Sim, porque a experiência, sob muitas formas, é necessária para construir o conhecimento, especialmente na realidade física; mas não necessariamente tem que ser a experiência absoluta e  real do negativo, a fim de que você tenha uma experiência que lhe dê uma informação que você poderia ter sem passar pela experiência negativa.

Pergunta: Em outras palavras, se você puder obter as informações a partir de sua imaginação,  isso já basta.

Bashar: Muuuito bem! Eis agora outro ponto capcioso…o que na verdade essa questão envolve, é a multidimensionalidade de sua imaginação. Isso é fundamental para a criação do devaneio, não enquanto dorme. Eu estou agora a falar do sonho como algo que representa, de muitas maneiras, o ” estar acordado”, mas estando no sonho, vivendo no sonho e  permitindo que realidade física se funda a ele como uma única idéia. Então, essa idéia de fusão, de elevação da vibração de suas “necessidades” para que ela se alinhe com a idéia do sublime “querer” se encontra dentro da imaginação em qualquer grau em que ela possa ser permitida, que é seu verdadeiro domínio, pois é o que irá determinar sua disponibilidade de alinhamento entre as “necessidades” e os “desejos” e permitirá também que se tornem uma única coisa, não ideias separadas ou assuntos separados. Então você tocou numa questão capciosa, pois isso tudo diz respeito também à imaginação em si, porém tem mais a ver com a sua habilidade de realmente permitir a multidimensionabilidade verdadeira da imaginação.

Pergunta: Como você aplicaria isso…como eu poderia aplicar isso?

Bashar: Isso, mais uma vez, se resume a definições , ou poderíamos dizer, à limpeza das definições que você não quer mais em relação à imaginação, de forma que a única que permaneça sejam aquelas que lhe tragam uma manifestação positiva, e ao mesmo tempo em que você tem a manifestação positiva, permitem-lhe o reconhecimento da manifestação negativa que você poderia ter tido com a experiência negativa. Vou resumir em poucas palavras: trata-se de desenvolver um enorme sentimento de conexão com a natureza, a conexão com o infinito através da habilidade que se chama gratidão. Entendeu?

Pergunta: Sim.

Bashar: Com a gratidão absoluta, você não terá nada que lhe seja impedido de chegar. Nada, nada, nada.

Pergunta: Pode explicar isso melhor?

Bashar: Tudo bem, é o que se chama, em alguns casos, em algumas religiões de sua sociedade,  de “estar em estado de graça”. Em outras palavras, algumas pessoas dizem que é ser humilde e expansivo. É sentir o Universo em seu coração. Relaciona-se com toda a natureza. Trata-se, na sua terminologia, de ser grato pela oportunidade de toda a experiência que você tem. É ser grato por ter a consciência da realidade, sob qualquer forma necessária para dar-lhe a informação de que você necessita,  sob qualquer forma…pode ser uma janela de vidro, uma pedra, um animal, uma pessoa, o céu, as nuvens, as árvores, as estrelas … gratidão por tudo isso. Infinita gratidão faz com que você se abra. É, em certo sentido, a vulnerabilidade na confiança, na força, de uma forma positiva. Gratidão.

Você pode encontrar alguns excelentes exemplos na chamada cultura Nativo-Americana; a maneira como eles falam de gratidão, em muitos aspectos, é o que estamos falando agora. É um reconhecimento  de todos os espelhos que lhe são dados na realidade, de modo que você pode ser tão reflexivo e tão claro quanto esses espelhos por causa da gratidão, e todas as imagens poderão ser refletidas em você, todos os estados poderão ser-lhe refletidos de volta, e você poderá ser o que quiser quando quiser ser essa idéia, em qualquer tempo. Gratidão Absoluta, em certo sentido, é o máximo de se estar centrado. Às vezes, sua sociedade chama isso de ”rendição”. Nós não optamos por usar esse termo, porque em muitos aspectos, o que realmente implica é que se está perdendo a identidade e que você não está mais no controle. Mas na verdade, significa simplesmente que você se torna tão transparente e tão fácil na sua criação, que realmente exerce o controle… você se torna um aspecto tão puro do infinito, que parece que não está fazendo nada. Gratidão.

Gratidão. Amor. Gratidão Incondicional. A alegria de ser o presente que lhe foi dado permitirá que você o experiencie de todas as formas que quiser e, ao mesmo tempo em que experiencia de determinada forma, ainda vai poder apreciar todos os outros aspectos, incondicionalmente, daquilo que você poderia ter experimentado.

Deixe-me colocar desta forma: um indivíduo que, na sua terminologia, é fisicamente muito abundante se encontra cara a cara com um indivíduo que, em seus termos, é fisicamente pobre … uma pessoa verdadeiramente centrada sente um enorme sentimento de amor e gratidão por ser quem é . Ela pode servir de muitas formas  ao indivíduo que, em seus termos, é pobre e deseja mudar, não sendo capaz de entender o alinhamento das necessidades e desejos; considerando que a pessoa abundante dessa forma pode experimentar a vida da outra pessoa através dos olhos do outro, da idéia das lições, do conhecimento, da compreensão da razão de sua escolha, ela se torna capaz de ver a força dentro de si, de compreender a situação, de se integrar, de absorvê-la dentro de si e oferece a gratidão, irradia a luz e a gratidão por ter sido capaz de ver essa lição, por receber essa lição e, ao mesmo tempo, por ser quem quer ser, quando quer e ainda assim receber todas as lições, toda a gratidão, todo o apoio. Num certo sentido, é um desapego individual, ou, em última instância, uma apego a tudo o que existe, com a consciência de que tudo passa, mas permite-lhe manter-se como desejar ser naquele momento. Pode parecer esotérica, mas é uma experiência totalmente formatada em uma linguagem de emotividade, com um sentido de “devir”. Não existem terminologias em seu planeta, em sua linguagem que podemos usar para expressar a “lógica” das emoções.

São coisas que devem ser sentidas. É o sentimento de respeito que lhe permite ser o que você quiser, quando quiser ser, ao invés da compreensão analítica dessa condição.

É um estado de graça, um estado de gratidão, um estado de amor.

Tradução de Flávia Criss, em Mar/2010.

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