CRIANDO DEUS: MEDO, SACRIFÍCIO, CENSURA, CULPA (parte 3)

É interessante notar que na maioria dos mitos da criação nós atribuímos aos deuses características emocionais bastante humanas, tais como a raiva, o ciúme, o egoísmo, a vingança, a capacidade de julgamento e o desejo. Durante toda a epopeia humana neste planeta, personalizamos o mundo ao nosso redor de maneira que tudo pareça estar relacionado a nós, e projetamos nossa própria realidade sobre esse mundo.

Uma vez que a verdade é vista apenas por nossos olhos, ela parece direcional.
O que quer que sejamos, é também nossa visão de todo o resto.
Isso nos deixa uma relação com nossa Força de Deus incompleta, não-pacífica – mas lavrada com expectativas e desapontamentos.
Desde o absoluto começo, a súplica e satisfação dos deuses se tornaram parte crucial da vida, e em algum ponto
desse processo, alguém do grupo passou a assumir um papel de intermediário dos deuses. Talvez esse homem possa ter sentido Deus falando com ele.

Pode ter tido uma visão correta de um evento futuro, ou no meio de um cataclismo natural teve uma visão que o colocou em uma posição de líder. Uma vez que nada era mais crucial do que a harmonia com os deuses, esse homem se tornou a pessoa mais importante da tribo.
Ele mesmo se deu um título que descrevia seu status especial na tribo. Possivelmente foi chamado de manda-chuva, xamã, sacerdote – mas, o que quer que fosse, recebeu o poder de escolha pela tribo, e então foi dado a ele muitos poderes e privilégios.
Nesse amplo papel de indivíduo que satisfaz a Deus, ele tinha de encontrar formas de fazer com que os deuses ficassem
felizes com ele. Ele aprendeu a não apenas dar oferendas aos deuses, mas garantir que elas fossem aceitas, assim passou a sacrificar vidas para eles, igualmente. Animais, e finalmente humanos, tornaram-se as vítimas do sacrifício. Ele não via que estava matando a própria criação de Deus.
Esse é um ponto extremamente importante! Nossos ancestrais concluíram que Deus queria e exigia uma recompensa pela vida – que Deus dominava o sacerdote em um ciclo interminável de demonstrações sacrificatórias de fidelidade e
submissão.

Quais são as conclusões psicogenéticas desse ato repercutindo em nós neste momento?
• Que devemos barganhar por nossa vida.
• Que o sacrifício vai nos salvar.
• Que Deus deve ser tranquilizado.
• Que não somos merecedores.
• Que o sacrifício é o caminho para Deus.
As ramificações dessa relação por meio do sacrifício ainda estão se agitando ao redor do mundo atual – os homens-
bomba, os penitentes, o cordeiro de Ramadã, as cerimônias de seitas sombrias, os sanguinários…
Todo o tempo, se pudéssemos olhar para trás e ver que tudo começou na mente do HOMEM – não na de Deus – pode-
ríamos usar nossa consciência superior para mudarmos algo que não é verdade.

Chris Griscom, em A Evolução de Deus. Editora Vida & Consciência, 2010.

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