A leitura do Registro Akáshico

Na vida da alma, sempre que desenvolvemos um talento, fazemos uso das circunstâncias e dos nossos recursos para tirar o máximo de nossas habilidades e
fazemos o bem a todos, acumulamos isso no paraíso — um “Paraíso” entendido como
um estado de espírito. É como ter uma galeria repleta de tesouros, só que nesse caso são talentos que desenvolvemos ao longo de muitas encarnações.
Também há um livro de registros nessa galeria, e ele guarda a contabilidade detalhada de todos os créditos e débitos.

Agora, imagine que você entre nessa galeria com o objetivo de se preparar para uma encarnação. Você vê o livro de registros através da percepção da vontade superior, não com os olhos ávidos do ego, e escolhe algumas coisinhas que precisam ser trabalhadas. Você pode decidir não utilizar todos os seus tesouros em alguma experiência de vida, de modo a focalizar uma lição específica. No Oriente, esse registro de tudo o que já fizemos é conhecido como Akashia ou o Registro Akáshico. A Bíblia se refere a ele como o Livro da Memória.

O Registro Akáshico, o Livro da Memória, está dentro de nós. O éter se move através de todas as coisas, e nele tudo fica registrado exatamente como acontece. É o amor altamente magnético. É o nosso registro, como indivíduos e como espécie, e se move
conosco, para onde quer que vamos. Aqui, o que é semelhante se atrai. Se você imprimiu o medo, então, assim como Jó, descobrirá que aquilo que temia se abateu sobre você.
As pessoas com sensibilidade mediúnica altamente desenvolvida podem ler esses registros. Porém, antes que você acredite no relato de uma de suas vidas passadas feito por alguém, é bom considerar que as impressões mediúnicas são filtradas e interpretadas através da mente e do sistema de crenças daquele que recebe a impressão. Obviamente, quanto mais trabalho o sensitivo teve para transformar os seus próprios padrões, mais claramente é capaz de ler o padrão que diz respeito a você.

Tive uma experiência, num país estrangeiro, com uma médium altamente treinada que esclarece esse ponto. Era a primeira vez que eu viajava para aquele país. Lá me contaram sobre uma mulher que era considerada uma das melhores médiuns da região. Enquanto eu esperava que as pessoas se inscrevessem num curso que eu estava oferecendo, ela entrou, dirigiu um olhar para mim e, francamente assustada, começou a tagarelar numa língua que eu não entendia. Meu intérprete disse que a médium anunciara que eu era a reencarnação de uma das figuras míticas mais conhecidas daquele país. Eu sabia muito bem que não era nada daquilo. Tenho sérias dúvidas de que essa figura tenha realmente existido, tanto quanto duvido que os deuses e deusas da Grécia antiga tenham sido pessoas reais.
Mais tarde, quando me familiarizei com essa médium, dei-lhe a entender que ela estava entrando no domínio do arquétipo. Os arquétipos são figuras imaginárias que assumiram uma certa vida “real” coletiva na nossa consciência porque suas histórias foram contadas e recontadas centenas de vezes. Eles se tornam os símbolos de certos tipos de energia. Até mesmo as pessoas reais que foram importantes heróis ou vilões em sua época assumem proporções arquetípicas à medida que suas façanhas são relatadas. Uma certa espécie de energia em determinada pessoa pode nos fazer lembrar de personagens lendárias. Essa médium não conseguia aceitar isso; nem sequer considerava que certo tipo de energia em mim havia desencadeado nela uma referência subconsciente às qualidades que ela viu na figura mítica. No seu sistema de crenças, aquela figura mítica tinha vivido, e eu era a sua reencarnação.
Não estou criticando essa mulher. Achei sua sensibilidade muito acurada e acertada em relação a muitas coisas. Sei muito bem que todos nós temos de interpretar aquilo que sentimos mediunicamente, e que isso é modelado — ou remodelado — na nossa mente por aquilo em que pessoalmente acreditamos e também pelos símbolos que guardamos no nosso subconsciente. Eu digo a todos a quem aconselho que devem pesar cuidadosamente tudo o que lhes é dito e decidir por si mesmos o que é verdadeiro e o que é simbólico.
A lembrança da vida passada pode ser simbólica, racial ou arquetípica. A exatidão da lembrança não é tão importante quanto o tipo de energia que ela faz surgir em nós. Depois que os melodramas de uma determinada vida terminam, o que resta é a essência destilada da experiência. A experiência de ser um cacique de tribo oferece-nos a mesma dinâmica de aprendizado sobre as responsabilidades de liderança que a de ser rei ou presidente dos Estados Unidos. Se vemos a nós mesmos, ou outra pessoa, como Napoleão, isso não significa necessariamente que fomos Napoleão. Pode ser simplesmente o nosso subconsciente oferecendo-nos uma referência simbólica para o tipo de energia que encontramos.

Eu sempre me pergunto quem fazia as tarefas comuns no Egito e na Atlântida. Quem eram os sapateiros e os cozinheiros?
Suponha que você esteja aterrorizado de medo de perder um filho a ponto de ficar neurótico. Pode ser que você tenha vivenciado esse tipo de perda em experiências de outras vidas, talvez por morte, seqüestro ou escravidão. Alguma coisa hoje aciona esse medo em você, e sobe à superfície a “lembrança” de uma vida que você pode ou não ter tido.

Quando o cérebro se esforça para dar um nome aos terríveis sentimentos de perda por que você está passando, ele extrai aquilo que existe no seu subconsciente. Você pode ter assistido a um filme a respeito de alguém que perde um filho,  A Escolha de Sofia, por exemplo, e encontrou uma resposta ecoando profundamente dentro de você, que o fez sentir quase como se aquela exata experiência tivesse ocorrido com você. A “lembrança da vida passada” aparece como o filme. As lembranças se reúnem em torno de experiências arquetípicas tais como o nascimento, a morte, o amor, o ódio, a guerra, a religião e o poder político. Algo em você reconhece a dinâmica e cria a sua versão do filme.

Se todas as almas são iguais, nem todas são igualmente experientes em relação à existência terrestre. Há, na verdade, almas antigas que estão cansadas, cheias de enfado e esgotadas devido a toda a ginástica a que submeteram a sua vontade. Elas podem criar vidas muito, mas muito difíceis para si mesmas a fim de afastar a última das ilusões mundanas que se encontra na sua consciência. Ficamos intrigados com as pessoas que giram em torno de si mesmas e, no entanto, parecem ser generosas de todas as maneiras. Algumas vezes, elas estão simplesmente começando a vivenciar aquilo que sua vontade pode realizar. Seu egoísmo não tem muito que ver com o fato de serem más, mas sim com o fato de serem jovens de entendimento.
Uma das características de uma alma madura é a sua preocupação com o bem geral. Isso nada tem que ver com a escolha daquilo que parece ser uma profissão desprendida. Tem mais a ver com uma total peregrinação de vida sem fazer o mal e com a consciência de sua própria contribuição. Não faz diferença se essas pessoas são ou não são bem-sucedidas em termos mundanos; elas utilizarão todos os recursos e influências que estão à sua disposição para colocar no mundo o melhor que têm a oferecer.

As 7 Etapas de Uma Transformação Consciente, p. 104

Foto: Pacio49

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