Almas mais velhas: lições mais difíceis

Tive a oportunidade de conhecer uma mulher de alma madura. Esta senhora é uma das pessoas mais sensíveis e adoráveis que você jamais poderia imaginar encontrar, o tipo de pessoa que só deveria ter o melhor que o mundo pudesse oferecer. Mas não é assim.

Desde o começo de sua vida, ela foi rodeada por pessoas egoístas e preocupadas consigo mesmas. Quando se casou, viveu com um homem egocêntrico que lhe deu pouco ou nenhum apoio. Seus filhos foram uma constante prova para ela. Mesmo quando chegaram aos trinta anos, raramente iam visitá-la e eram indiferentes às suas necessidades. A vida era extremamente dolorosa e solitária para ela, mas ela optou pelo amor e pelo perdão, e não pelo martírio.  Certa vez, quando eu estava fazendo um trabalho de cura para ela, ouvi em Espírito: “Ela percorreu com graça um corredor escuro.” O Espírito continuou a me contar que ela havia encarnado para trabalhar o amor incondicional e tinha feito exatamente isso, sem considerar o que recebia em troca. Por mais doloroso que fosse, ela trabalhava diariamente na liberação dos filhos, abençoando-os, perdoando-os. Essa mulher continuou amando os filhos, apesar do comportamento deles e, à medida que os anos foram passando, eles começaram a corresponder à sua aceitação permanente e ao seu amor. Ela tinha sido mais que sua mãe. Tinha sido uma mestra. Finalmente, ela está começando a colher o que plantou, nesta vida mesmo, mas a lição de manter o amor incondicional foi longa e árdua.
Muitas e muitas vezes, pude mostrar que chegamos a uma determinada encarnação tanto para aprender como para ensinar. Nenhum ser humano é capaz de entender inteiramente a que propósito outro ser humano está servindo. Por exemplo, uma alma muito evoluída pode estar pronta para as lições de sacrifício do ego individual. Outra alma pode decidir encarnar como uma mulher com capacidade mental limitada para proporcionar aos outros a oportunidade de aprender a respeito do amor, ao ter de cuidar dela. Outra pessoa pode vir para esta vida como um homem que acertou na loteria — bonito, rico, com todos os talentos que se possa imaginar — mas que tenha de lutar constantemente com o problema da escolha. O que escolher? Como usar essas oportunidades? Essa alma está aprendendo a focalizar a intenção.
A vida que estamos vendo agora é apenas uma página de um romance épico.
Se este é o ponto no desenrolar da história em que o herói ou a heroína está sendo desafiado(a) pelo vilão, a existência pode parecer trágica para nós. Mas essa é a nossa interpretação humana. Também pode muito bem ser o momento decisivo na evolução global da alma. Não nos cabe julgar.
Uma vez, o Espírito me disse: “Você não concorda com o modelo da asa de uma ave? Não concorda com a cor de uma pedra ou com a órbita de um planeta? Então, por que não concorda com o modelo da alma de outra pessoa? Você acha que sabe mais a respeito do que é necessário para o outro, além daquilo que a alma dele ou dela está fazendo? Quando você sente a necessidade de julgar outra pessoa, você pode estar certo de que é você quem está em desequilíbrio.”
Podemos aceitar apenas que as coisas não são o que parecem ser e que, muito provavelmente, estão exatamente onde devem estar. Isso inclui tanto a nossa avaliação precipitada dos assim chamados  yuppies como a superstição reinante de que os pobres estão, de algum modo, sendo castigados por Deus. Pelo que sabemos, os  yuppies são almas que estão esgotando o que lhes resta de materialismo, adquirindo “coisas” e status numa espécie de identificação do ego de última hora. Não podemos saber. Em certas práticas de treinamento espiritual no Oriente, se um mestre observar que você tem um vício que permanece impune, ele não lhe ensinará a reprimi-lo. Em vez disso, irá encorajá-lo a satisfazer o seu vício até o limite máximo, até você enjoar dele. Então você estará livre dele de uma vez por todas.
Quando somos capazes de permitir a nós mesmos e aos outros apenas ser—
sem nenhum julgamento — começamos a compreender a sabedoria e a perspectiva que a reencarnação nos ensina. Mas será que isso resulta em indiferença em relação ao sofrimento dos outros, como algumas pessoas dão a entender? Minha observação revela que é exatamente o contrário que acontece. Quanto mais compreendemos a nossa ligação, melhor percebemos que somos uma parte encarnada do todo, mais responsáveis nos tornamos à medida que nos relacionamos com o todo.
Se você caiu num buraco, e está no meu caminho, isso não é acidental. Está sendo oferecida a mim a mesma oportunidade de aprender que é oferecida a você.
Posso me compadecer de você e amá-lo, ou posso culpá-lo por ter caído e dizer que você mereceu isso. Posso lhe oferecer ajuda para sair do buraco. Posso colocar um sinal para avisar os outros. Ou posso ignorar a coisa toda, dizendo que não tem nada a ver comigo, o que seria a maior ignorância, pois falharia em notar que você e eu estamos na vida juntos. Nós dois estamos no buraco, não apenas você. Isso se torna muito importante quando aplicamos essa tomada de consciência às nossas principais questões sociais, como o problema de falta de habitação.
No entanto, chega uma época de nosso crescimento em que desistimos de nos preocupar com a reencarnação. O místico e mestre sufi, Reshad Field, sugere que “se a vaca sagrada da reencarnação ainda provoca gripe em você, então é melhor abandoná-la”.

Quando aceitamos que nossa vida é contínua, uma trama que nos coloca e nos tira de muitas experiências, então podemos ficar indiferentes ao que já fomos ou deixamos de ser. Mais cedo ou mais tarde, todos nós vamos representar todos os papéis. Enquanto isso, há apenas o agora, as exigências imediatas e as preocupações desta vida.
Talvez não saibamos por que uma criança encarna e enfrenta uma luta cruel. Só sabemos que a vida dessa criança não está separada da nossa. A experiência dessa criança pode ser um sacrifício de amor em benefício de todos. E, uma vez que ela chama nossa atenção, oferece-nos a oportunidade de mudar as condições políticas, sociais e psicológicas que permitiram que o bombardeio ocorresse. Não é apenas o nosso drama individual que traz água para o moinho da evolução— é a nossa reação à vida como um todo.

As 7 Etapas de Uma Transformação Consciente, p.107

Foto: Hoopette

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