A voz da dúvida

Nossas ofensivas tornam-se realidade na medida em que nos comprometemos com a nossa nova visão. Como uma planta nova que busca o sol, precisamos de solo fértil e de nutrientes para atingir o nosso completo potencial.
A primeira coisa que precisamos alimentar é a nossa fé na nossa orientação superior interna. O filósofo dinamarquês Sören Kierkegaard dizia: “Cada qual vem para a Terra com as ordens seladas.” Ter fé no nosso caminho ajuda-nos a interpretar essas ordens.
Talvez você não se sinta pronto para o compromisso. Poucos de nós se sentem. A Sagrada Escritura nos faz lembrar dessa dinâmica da mudança em várias alegorias.

Dizem que Moisés, no início, resistia à sua missão, dizendo a Deus que não era o homem certo para o trabalho de conduzir o povo para fora do Egito; quando o jovem guerreiro, Arjuna, discute com o deus Krishna, insistindo no fato de que ainda não está pronto para ser um líder.
Freqüentemente, descobrimos que, à medida que construímos uma nova fé na nossa verdade, a nossa antiga versão da realidade se levanta para nos ameaçar com sentimentos de que não vale a pena. “Quem sou eu para achar que posso viver dessa maneira? Como posso ser um instrumento de uma nova visão?”
A nossa tendência é presumir que os outros não têm esses mesmos sentimentos de dúvida quando enfrentam um novo nível de compromisso. Acho que quase todos enfrentam. Eu passei por isso nos primeiros dias do meu trabalho de cura. Por mais que eu estivesse aprendendo na minha jornada, ou com o próprio trabalho de cura e de aconselhamento, eu ainda precisava cercar minhas descobertas com afirmações das autoridades reconhecidas. Levou muito tempo antes que eu pudesse simplesmente dizer: “Foi essa a minha experiência em Espírito. Veja o que significa para você.”
Nos meus primeiros meses de trabalho, eu costumava dizer com freqüência: “Eu realmente não me considero digna deste trabalho”, achando que estava sendo humilde. Eu me recusava a dar palestras, insistindo no fato de que não estava pronta. Então, uma amiga demonstrou amor suficiente para comigo e disse: “Isso é apenas o ego falando.” Ela estava certa. Desde então, aprendi que a verdadeira humildade segue a orientação interior, mesmo quando o eu exterior está inseguro. “Minha orientação é para ficar em casa com essas duas crianças? Muito bem, vou fazer isso.” “Minha orientação interior é para subir no palco e falar? Vou fazer isso.” “Pintar o quadro… escolher a roupa… abandonar a negatividade… qualquer que seja a orientação, vou fazer isso.” Isso é humildade.
Um mestre iniciante que eu conheço manifestou, para um colega mais experiente, o medo de não estar pronto ou de não ser digno. O conselho foi o seguinte: “Nenhum de nós sente que está pronto ou que é digno, mas a verdade está sempre pronta e é digna de ser dita.”
Uma vez me foi dito em Espírito: “Submeta-se humildemente ao poder.” Levei algum tempo para entender isso. A maior parte de nós tem uma noção distorcida de poder, aprendendo-o em termos humanos como influência política, social ou econômica. O poder de Deus geralmente é visto como uma força fora de nós que nos atinge insistentemente ou nos abençoa, e não como a força que se move e se exprime através de nós. Quando o ego pessoal usurpa essa força para servir aos seus próprios fins, ele faz isso na ignorância. Eu posso alegremente dar um golpe no mundo com uma demonstração passageira de poder, mas tudo o que isso cria — de bom, de ruim, de indiferente — volta para ele. O princípio do retorno — “tudo o que vai, volta” — é uma lei muito impessoal, mas uma lei de amor.  Quando nos comprometemos com um outro aspecto da nossa verdade, nós entramos em sintonia com o verdadeiro poder. Não importa quão pequeno o movimento pareça ser para nós, estamos em treinamento para nos sintonizar com o fluxo universal.

As 7 Etapas de Uma Transformação Consciente, p. 192

Foto: Daniel Paixão Fontes

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