As Formas de Poder Animal

Os animais enviados do Poder Invisível não mais  servem, como nos tempos primitivos, para ensinar e guiar a Raça Humana. Os ursos, os leões, os elefantes, os carneiros monteses e as gazelas encontram-se nas jaulas dos nossos zoológicos.

O homem não mais é o recém-chegado em um mundo cheio de planos inexplorados e florestas, assim como nossos vizinhos mais próximos não mais são as bestas selvagens, mas outros seres-humanos que brigam por mais bens e mais espaço em um planeta preso num redemoinho sem fim, rodopiando-se em torno do fogo de uma estrela.

Nem em nosso corpo ou em nossa mente habitamos o mundo daquela raça de caçadores do milênio Paleolítico, a cujas vidas e modos de viver devemos a forma mesma dos nossos corpos e a própria estrutura das nossas mentes.

No entanto, de alguma forma as memórias desses animais encontram-se ainda adormecidas dentro de nós, pois são despertadas e agitadas quando nos aventuramos rumo ao desconhecido e selvagem. Tais memórias se acordam no terror do trovão e novamente se acordam, com um sentimento de reconhecimento, quando adentramos quaisquer daquelas cavernas pintadas.

Seja qual for o interior escuro  em que os xamãs daquelas cavernas mergulharam quando em transe, tal escuridão deve ainda existir dentro de nós, sendo visitada toda noite enquanto dormimos.

Joseph Campbell, “The Way of the Animal Powers”.

Tradução minha, Flávia Criss, em Mar/2010.

Foto: Jack Versloot

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s