A imagem que fazemos de nós mesmos

A dra. Dianne Connelly intitulou seu livro acerca da acupuntura chinesa  tradicional como All Sickness is Homesickness [Toda Doença é Saudade do Lar] — um título brilhante que define o nosso problema numa única frase.

Temos saudade do lar que é a totalidade interior, saudade do lar que é a unidade com os aspectos materno e paterno de Deus, saudade do lar que é a nossa vontade criativa de ser um só com a sua fonte, com a sua origem.
O gene divino é o nosso gene de perfeição. Ele viaja conosco, pouco importando quantas vidas ou experiências sejam necessárias para acordarmos. Ele garante que um dia ficaremos cansados e fartos de utilizar nossa vontade para criar
dramas que nos deixam insatisfeitos. Nós queremos ser bem-sucedidos. E o código desse gene contém todas as informações de que precisamos para conseguir isso.

O planeta Terra é o local de treinamento para a vontade em fase de desenvolvimento.
Mas podemos chegar a tal ponto de identificação com aquilo que estamos criando que até esquecemos quem somos. Conseguimos produzir todos os tipos de filmes aqui, qualquer coisa que combine com a nossa fantasia — melodramas, comédias, romances. O segredo é compreender que nós é que somos os criadores e não os filmes que criamos. Até entender essa diferença, continuamos fazendo inúmeras séries com as mesmas personagens e com enredos semelhantes. Chegamos a pensar que somos o papel que representamos e da mesma forma chegamos a admitir que somos feitos para sofrer, já que outras pessoas — outros criadores — também estão participando, e até mesmo o nosso enredo mais bem feito está sujeito a mudanças.

Antes que o meu trabalho se desenvolvesse, eu me sentia ansiosa a respeito do que deveria fazer. Eu sabia que me encontrava num momento decisivo, mas não sabia que novo rumo eu haveria de tomar. “O que é que eu deveria estar fazendo?” é, em geral, a primeira pergunta que muitas pessoas levam ao analista. No Ocidente, estamos profundamente condicionados a “fazer alguma coisa”. Fazer, e não ser, é geralmente o fulcro da questão.

Então um mestre querido disse para mim em Espírito: “A questão não é fazer alguma coisa. O que importa é compreender quem você é. E quando você compreender e se tornar quem você é, vai, literalmente, alterar as vibrações de tudo
no seu ambiente.”
O fazer surge naturalmente do ser. Procurar fazer antes de procurar conhecer é criar outra falsa identidade. Acreditar que aquele que eu sou é um guia espiritual ou um mestre é uma identidade tão falsa como qualquer outro papel que eu esteja representando. Eu sou — e cada um de nós é — um ser feito à imagem de Deus e procurando lembrar-se disso ao participar do drama terrestre.
Nós somos indestrutíveis. Se a nossa forma pode mudar, a nossa identidade não pode. Nós não somos as nossas carreiras, o nosso dinheiro, os nossos relacionamentos, os nossos sucessos ou fracassos. Os papéis vêm e vão. Nós os
criamos porque eles nos oferecem cenários perfeitos nos quais podemos explorar a nós mesmos e aprender. Para acelerar o nosso processo, atraímos magneticamente todos os atores secundários de que necessitamos para o drama. E os nossos inimigos são tão importantes para a nossa história como os nossos amigos. Num certo sentido, nossos inimigos são os atores principais, porque eles espelham para nós os inimigos que há dentro de nós.

Sempre há atores perfeitos em disponibilidade para qualquer drama que criamos. As pessoas que se dedicam às mesmas questões acabam se encontrando, se descobrindo. Os salvadores sempre encontrarão inúmeras pessoas enviando sinais
para serem salvas. As vítimas sempre encontrarão quem as maltrate. O amor encontra o amor. E o aluno que quer aprender atrai o mestre, com a mesma premência com que o professor atrai o aluno.

Não é fácil afastar os desejos que nos impelem na direção dos outros. É como se estivéssemos numa roda-gigante: sentimos o ímpeto da subida e obtemos aquilo que parece ser uma visão ampla do alto, mas então vem a rápida descida e, de repente, estamos de volta ao ponto de partida. Porém, quando decidimos sair da roda, muitas vezes descobrimos que, na verdade, perdemos todas aquelas subidas e descidas que vieram por acréscimo.

Temos de ser muito gentis em relação a nós mesmos e em relação aos outros também, na medida em que damos o passo corajoso, do contrário não conseguiremos suportar a nós mesmos e aos outros quando a resistência à mudança vier. E ela virá.
O ego tem dominado a personalidade há tanto tempo que quando decidimos apelar para o nosso verdadeiro Eu, o ego ilusionário contra-ataca.
Não é por nenhuma razão gratuita que o caminho de volta à totalidade — o caminho que leva à fusão entre a nossa vontade e a vontade divina — é descrito em tantos textos sagrados como uma espécie de morte.

Gandhi disse aos seus seguidores: “Eu ando todos os dias sobre o fio de uma navalha.” Abrir mão da nossa vontade individual em função de uma vontade superior, por mais ardentemente que a desejemos, é uma morte. Mas é também um nascimento. E é desse nascimento que trata a iniciação.

As 7 Etapas, Para Uma Transformação Consciente, p. 41.

Foto: Karen Roe

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