A salvaguarda do conhecimento sagrado: as escolas de ocultismo

O ensinamento sobre o relacionamento humano com o Divino sempre seguiu duas direções distintas: a religião exterior, exotérica, com ênfase na obediência à estrutura e ao dogma da igreja; e o ensinamento esotérico, oculto.

Toda religião importante tem seu núcleo interno de ensinamentos místicos: o sufismo no Islã, a cabala no Judaísmo, o gnosticismo no Cristianismo, o zen no Budismo japonês e a
linha tântrica, tanto no Hinduísmo como no Budismo tibetano, só para mencionar alguns.
Seria necessária uma biblioteca inteira para apresentar as centenas de escolas e sociedades secretas que existem desde que a história começou a ser registrada e antes ainda. Mas estaríamos deixando de lado um ponto importante na nossa compreensão da mudança — e da iniciação — se não nos lembrássemos da continuidade dos ensinamentos sobre o renascimento espiritual.

Basicamente, o ponto principal desses ensinamentos é libertar o Deus que há dentro de nós da armadilha da matéria. A Doutrina   Secreta, ou os Mistérios, como sempre foram chamados esses ensinamentos, ofereceram a estrada estreita e direta para o autoconhecimento. Se o lento movimento da evolução acabará por nos recolocar a todos em contato com a nossa Origem, há um caminho mais curto no qual podemos assumir o controle de nossa jornada. Ele é muito mais difícil e mais intenso, mas o Caminho foi apontado — e vivido — por mestres e avatares iluminados através dos tempos. É o caminho da iniciação.

O ensinamento dos Mistérios sempre foi transmitido de modo privativo a pessoas altamente treinadas, como preparação para assumir grandes iniciações e dar grandes passos no desenvolvimento espiritual. Essa informação nunca foi passada para um público sem treinamento. O conhecimento não é bom nem mau. Ele apenas é. Mas o conhecimento também é poder. Ele pode ser perigoso nas mãos erradas. Por isso, as seitas esotéricas protegiam esse conjunto de conhecimentos escondendo-o por meio de códigos, línguas e ciências só conhecidos por aqueles que haviam aprendido a ver os significados ocultos. Os adeptos, como são chamados esses praticantes, juravam manter segredo, geralmente perdendo suas vidas se revelassem os ensinamentos. Se caíssem na tentação de explorar o conhecimento para fins particulares, não poderiam completar a iniciação.

Muitas das técnicas e habilidades que haviam sido concebidas para mostrar progresso na jornada espiritual foram adulteradas e reduzidas a instrumentos de feitiçaria e adivinhação. Tipicamente, quando uma civilização começava a entrar em colapso por sua própria fraqueza, os ensinamentos puros tornavam-se cada vez mais velados, a fim de proteger o sagrado do profano.
Quando os candidatos ao ingresso nas escolas ocultistas passavam por todas as provas e tentações, tornavam-se iniciados e acabavam como adeptos altamente treinados que preservavam o conhecimento. Seu conhecimento lançava as sementes
de tudo aquilo que hoje é ensinado nas universidades — química, matemática, astronomia, medicina, arquitetura, filosofia — bem como as ciências do espírito.
Definitivamente, a ignorância não era equiparada à piedade, embora no mundo em geral, os ensinamentos ocultistas sempre tenham sido encarados como ameaças às poderosas instituições religiosas das várias culturas. Os adeptos geralmente sofriam
terríveis perseguições a fim de preservar o conhecimento.

Robert Macoy, um maçom de grau trinta e três, presta um tributo a essas antigas escolas ocultistas na sua General History of Freemasonry [História Geral da
Franco-Maçonaria]: “Parece que toda a perfeição da civilização e todo o avanço conseguido pela filosofia, pela ciência e pela arte entre os antigos devem-se a essas instituições que, sob o véu do mistério, procuravam ilustrar as verdades sublimes da religião, da moralidade e da virtude e imprimi-las nos corações de seus discípulos. Seu
principal objetivo era ensinar a doutrina do Deus único, a ressurreição do homem para a vida eterna, a dignidade da alma humana e levar as pessoas a ver a sombra da divindade na beleza, na magnificência e no esplendor do universo.”
As antigas religiões cujos nomes foram esquecidos tinham suas contraposições nas escolas ocultistas do mundo todo. Muitos nomes que consideramos míticos talvez tenham sido conceitos simbólicos que formaram o núcleo de alguma escola ocultista:
Ísis, Dionísio e Orfeu, Gaia ou Apolo, por exemplo. As histórias pitorescas em que deuses e deusas espelhavam todos os conflitos, defeitos e ambições dos humanos parecem, sob a ótica moderna, meras fantasias da superstição. Mas, fornecido o código simbólico da iniciação, cada uma das divindades e cada uma dessas histórias personificava o ensinamento das diversas etapas em direção ao autocontrole e à reunião.

As 7 Etapas de Uma Transformação Consciente, p. 51.

Foto: Astral Insomnia

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