Duas de uma só vez

Esta é a história de duas mulheres que viviam em locais distantes e que só se encontraram quando seus carmas colidiram.

A primeira era uma jovem que eu aconselhara muitos anos atrás. Ela me procurou porque estava preocupada com o sentimento de estar estagnada em sua vida espiritual. Era como se tivesse chegado até um certo ponto e não permitisse a si mesma crescer mais. Eu tive a visão de uma vida em que ela fora uma sacerdotisa asteca; uma de suas tarefas era a de remover os corações dos que eram sacrificados nas festas religiosas. Ela se ressentia disso e me contou que era perseguida, desde criança, por sonhos em que se via toda salpicada de sangue.

Os anos se passaram e eu a encontrei por acaso numa conferência, num Estado distante daquele em que morava. Eu estava com uma amiga íntima e as apresentei, enquanto nós três estávamos esperando a cortina subir para a apresentação de um drama experimental. Eu nunca cheguei a ver a peça, mas duvido que se igualasse ao drama que veio a se desenrolar.
Para que você compreenda inteiramente esta história, devo informá-lo de que minha amiga é uma mulher muito controlada e equilibrada, alguém que está acostumada a confrontar suas próprias sombras sem histeria. Enquanto não conseguia ver a si mesma, de algum modo, como um produto acabado, ela se acostumara a empregar várias técnicas que a ajudavam a crescer. Estava consciente de que se sentia bloqueada na sua vida espiritual por um medo inominável, e havia rezado e meditado para eliminar esse bloqueio.
Enquanto aguardávamos, uma música muito estranha começou a tocar nos alto-falantes. Parecia a trilha sonora de A Criatura da Lagoa Azul — feia e dissonante.
De repente, senti um puxão frenético no meu braço e, ao voltar-me na sua direção, ouvi minha amiga implorar com os dentes cerrados para que a tirássemos dali. Antes que eu conseguisse dizer uma palavra, ela saiu correndo pelo corredor, deixou o teatro e atravessou uma campina — comigo correndo atrás dela e a outra mulher atrás de mim.
De repente, caiu de joelhos e começou a gemer. Depois, vomitou e continuou a gemer. Como sua amiga, eu queria apenas apoiá-la e assegurar-lhe que, qualquer que fosse o problema, poderia contar com a minha ajuda. Mas tive uma brusca, clara e imediata orientação do Espírito no sentido de deixá-la passar por aquilo, de não impedi-la. Comecei a esfregar suas costas, correndo a mão pela coluna vertebral de baixo para cima, e logo suas palavras entrecortadas e aterrorizadas começaram a se misturar com as imagens que faiscavam na minha cabeça. Ela estava se lembrando, com emoção e horror, de uma vida passada na qual fora uma jovem que havia sido drogada e paralisada, mas não tinha ficado inconsciente. Estava sendo levada por uma escadaria a fim de ter o coração arrancado em sacrifício aos deuses astecas.
Ela ficou visivelmente abalada após a lembrança, o que era compreensível, e eu sugeri que nós três fôssemos nos reunir em algum lugar sossegado. Nesse meio-tempo, a outra mulher não tinha dito uma palavra sequer, mas estava pálida. Mais ou menos uma hora depois, essa mulher se voltou para minha amiga e disse, com voz trêmula: “Acho que sei quem foi que arrancou o seu coração. Fui eu.” Minha amiga olhou-a espantada por alguns instantes, depois pegou sua mão e disse: “Eu a perdôo.”
Elas se abraçaram longamente, e a dor, o medo, a culpa e os bloqueios carregados
por ambas durante tanto tempo se dissiparam.

As 7 Etapas de Uma Transformação Consciente, p. 101

Foto: Rogerpm

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s