“Nascimotos”

Às vezes, o desafio parece entrar em erupção com uma destruição repentina e terrível. Mas, assim como um terremoto que faz pressão no deslocamento das camadas terrestres, o evento exterior “repentino” surge de circunstâncias já existentes, nas quais se acumula uma pressão que precisa ser liberada. Essas circunstâncias se transformam naquilo que um amigo meu denomina “nascimotos” [em inglês, birthquakesy por analogia com earthquakes (terremotos).]

Por exemplo, Paula cresceu e mais tarde se casou dentro dos preceitos de uma igreja extremamente fundamentalista. Passados os anos, ela estava com três filhos. Era uma mulher maltratada. Temendo pela sua própria segurança e pela segurança dos filhos, ela procurou o santuário da igreja. Disseram-lhe claramente para voltar para o marido que, “pela autoridade de Deus, era o cabeça do lar”. Além disso, disseram-lhe que, se procurasse se aconselhar ou se pensasse em se divorciar, seria considerada como morta para a sua família e para a igreja. Ela fugiu com os filhos. Todas as formas dentro das quais tinha vivido — Deus, a família, o casamento — foram desafiadas.

Um período longo e difícil seguiu-se quando ela separou os fragmentos de sua vida, mas gradualmente começou a ver a si mesma de maneiras novas e mais saudáveis. Embora tenha sido doloroso vivenciar a violência, a desilusão e as perdas, diz ela que foram essas mesmas coisas que a forçaram a abandonar a vida construída com base no medo.

Coisas que caem do céu

O acontecimento que desafia o seu mundo origina-se no modelo de sua alma e nas pessoas com quem você partilha a sua vida. Geralmente, é necessário ter a perspectiva do tempo para compreender aquilo que você estava sendo desafiado a aprender. Mas, quando a alma está pronta para liberar sua cápsula do tempo, “coisas impossíveis” acontecem.
Uma dessas coisas caídas do céu aconteceu comigo em 1968 e mudou a minha vida. Eu era uma mulher jovem que estava criando dois filhos sozinha e trabalhando como editora de arte para uma publicação nacional. Duas boas amigas minhas estavam indo para o Peru numa viagem de pesquisa e queriam que eu viajasse com elas. Eu achei que elas estavam loucas; cada tostão que eu ganhava era indispensável para atender às minhas necessidades familiares. Elas sugeriram que eu pedisse ao meu editor para me mandar para lá, ou, o que era menos provável, que uma das empresas delas financiasse a minha viagem. Tudo o que fiz foi rir da idéia.
Mas minhas amigas propuseram-na ao meu editor e, por razões que não compreendo até hoje, ele concordou.  Então, lá fui eu, naquela viagem “impossível”, e me diverti muito, feliz e esquecida do verdadeiro objetivo da viagem — até chegar a Machu Picchu. Hoje, todos nós já ouvimos falar na atração mística do Peru. Mas não era assim em 1968.
Isso foi muitos anos antes que o Peru se tornasse um ponto de atração do movimento da Nova Era. Eu nem sequer sabia que Machu Picchu existia. Nunca tinha conversado com alguém que tivesse estado no Peru, nem tinha lido nada a respeito. E não sabia nada sobre o efeito que certas regiões da Terra têm sobre nossas energias.
Nem bem tínhamos chegado à Cidade Perdida dos Incas, eu comecei a sentir algo estranho, mas atribuí aquilo a um problema com a comida da noite anterior.
Quando começamos a subir, em fila indiana, por uma trilha estreita que levava a um relógio de sol, alguém atrás de mim perguntou em voz alta o que iríamos encontrar ao chegar lá. De repente, minha boca se abriu, e eu comecei a descrever o que iríamos ver, qual o seu significado e o seu propósito. Na minha mente, eu via cenas que se apresentavam aos meus olhos como se fossem slides. Ninguém estava mais surpreso do que eu. Como é que eu tinha aquela informação? Era mais do que estranho. Eu estava terrivelmente perturbada. Meu senso de realidade estava sendo seriamente desafiado. Mais tarde, afastei-me do grupo, tentando recuperar o senso de realidade que havia levado comigo à montanha. Mas uma grande mudança havia ocorrido.
Desde a minha infância, eu vinha observando imagens casuais em minha mente. Nunca as questionara antes. As crianças não perguntam se você está vendo o mesmo que elas vêem; apenas presumem que está, se é que pensam a respeito. Mas, a partir daquele momento em Machu Picchu, as imagens mentais que eu tinha visto desde a infância não foram mais casuais. Agora, elas vêm quando eu as solicito.
Na época, eu não tinha idéia de que viria a utilizar como ferramenta essa capacidade denominada clarividência, pois minha tarefa de vida só se desenvolveu sete anos depois. Embora essa viagem inesperada e improvável tivesse me feito explodir mediunicamente, assim que voltei, tentei rejeitar a experiência como sendo algo estranho, mas sem relação mais séria com a minha vida. Porém, com a visão que tenho hoje, posso remeter as mudanças que me trouxeram a este momento a essa experiência em Machu Picchu.

As 7 Etapas de Uma Transformação Consciente, p. 122

Foto: Olivia Hotshot

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