O SOERGUIMENTO DE OUTROS

Tenha todo o cuidado no modo de dar alguma coisa a outras pessoas. Nunca tire de um homem a oportunidade de crescer e de progredir. O rapaz que recebe auxílio e dinheiro com muita facilidade e freqüência descobre ser esse um modo mais fácil do que fazer por merecê-lo pelo trabalho e pelo empenho próprios. A assistência permanente tem um efeito destruidor sobre a sua condição de homem; cesse de desvirtuar e de destruir a sua
virilidade e dê-lhe uma oportunidade de descobrir e de dominar os seus poderes interiores, sem o que será sempre um parasita, um pedinte.

Recomendei a uma conhecida minha que deixasse de sustentar um parente seu que viera da costa leste dos Estado Unidos e sobre o qual assim se expressava: “Coitado do Tom, não conhece ninguém aqui e está encontrando dificuldade em arranjar um emprego”, etc. Em conseqüência, dispôs-se a pagar-lhe o aluguel e a alimentação, além de dar-lhe dinheiro para outras despesas, até que encontrasse emprego. O parente em questão jamais conseguiu empregar-se, tornando-se um perfeito parasita e ainda se queixava por não lhe dar ela mais dinheiro! Em uma ceia de Natal, para a qual fora convidado, chegou mesmo a furtar grande quantidade de seus talheres de prata, levando-a a protestar nos seguintes termos: “Por que procedeu assim, depois de tudo que fiz por ele?”
Ela se acostumara a vê-lo com os olhos da carência e da limitação e, assim, ao invés de procurar soerguê-lo, de colocá-lo no lugar que lhe estava divinamente reservado e de “vesti-lo” mentalmente com as riquezas celestes, figurativamente falando, o vestira de andrajos, sensibilizando o seu subconsciente e fazendo com que viesse a reagir de forma correspondente.
Deve-se sempre estar pronto para auxiliar uma pessoa que está realmente faminta, necessitada ou em desgraça. Este procedimento é correto, elogiável e recomendável; entretanto, é preciso ter cuidado para não transformar essa pessoa em um parasita. Essa assistência deve sempre ter, por base, a orientação divina e, como finalidade, levar a pessoa a ajudar a si própria.
Ensine-lhe onde e como encontrar as riquezas da vida e também como se tornar autoconfiante e como melhor contribuir para a humanidade, pois destarte jamais necessitará de um prato de sopa, de uma roupa velha ou de uma esmola.  “… Estas coisas devíeis praticar, sem omitir aquelas”. (Mateus 23:23).

Todos nós devemos estar prontos a oferecer auxílio, mas é errado contribuir para a deficiência, o desleixo, a preguiça, a apatia e a indiferença dos outros.

CARÁTER E DESTINO

Todos nós estamos na terra para ajudar a carroça a se movimentar, fazendo força na sua roda. Se você dispõe apenas de uma tanga para vestir, é porque alguém a fez para você; e o que você tem feito para os outros? Tem trabalhado e contribuído com sua habilidade e com o seu talento? Há muitos mendigos fisicamente capazes, mas que fazem da mendicância a sua profissão e que, enquanto encontrarem quem satisfaça os seus pedidos, jamais trabalharão, transformando-se em parasitas.
Alguns deles são até bastante ricos, dispondo de automóveis e de propriedades em diversas cidades.
No íntimo de cada pessoa existe uma vasta mina de dádivas, de poderes e de riquezas ainda não descobertas. Todo homem é considerado responsável pelos seus atos e os meninos devem ser alertados para as suas responsabilidades perante a sociedade.
Todos nós somos parte da sociedade em nossa passagem pela vida e temos de contribuir com algo, seja como remador em um barco, seja como motorista de um carro. A vida recompensa a fé, a coragem, a resistência e a persistência com maior dose dessas virtudes. É na superação dos obstáculos que se desenvolve o caráter, o qual, por sua vez, é o próprio destino.

1001 Maneiras de Enriquecer, p. 101

2 comentários sobre “O SOERGUIMENTO DE OUTROS

  1. Valéria

    Olá Flavia! Agradeço a luz que vc lançou na trilha que sigo em busca do laço como criador do mundo humano,ao compartilhar,generosamente,o conhecimento fruto de seu trabalho.É realmente comovente.Compartilhar parece ser a essência do laço.”Dar a mão a alguém sempre foi o que esperei da alegria” palavras da querida Clarice Lispector, que abriram e seguem iluminando essa trilha.Destaco de suas indicações a importância do olhar – tenho a arte no horizonte. Um abraço e mt riso!

    1. Oi Valéria!
      As almas afins realmente se encontram…eu AMO CLarice Lispector! É minha escritora favorita, desde os 11 anos de idade!
      Eu que agradeço a possibilidade de compartilhar tesouros com pessoas tão maravilhosas, como você.
      Obrigada pelo carinho, gentileza e por ter me dado “a mão” 😉
      Mil beijos e muito riso pra vc também!

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