TERCEIRA ETAPA : A resistência

Você nunca vai me fazer virar uma coisa dessas! A lagarta olhando para a borboleta.
A terceira etapa inevitável da mudança de consciência é a batalha entre o velho e o novo. A velha forma não abandona o território com facilidade. Quando começamos a considerar uma nova maneira de encarar a realidade, todos os nossos padrões de pensamento e de sentimento profundamente condicionados se levantam dos porões da mente e gritam: “Oh, não, não faça isso!” Novas idéias atiçam o medo do desconhecido, o medo de romper com os modos de pensar aceitáveis que mantemos desde a infância, com os padrões ditados pela cultura e pela família, talvez até mesmo originários de outras vidas.

Esta é a fase da transição em que predominam as formulações como “e se?” e “sim, mas”. “E se essa nova maneira de pensar for errada?” “E se eu falhar?” “Sim, eu gosto dessa nova idéia, mas, por outro lado, foi assim que eu sempre pensei.” Aquilo que é novo atrai, mas o velho tem a força de tração da história. A hesitação e a indecisão transbordam e se manifestam como símbolos externos do conflito. Contudo, a resistência é uma parte natural da mudança consciente — e um período do ciclo que não pode ser apressado, a não ser que você queira refazê-lo mais tarde.

Argolas de fogo

Sempre ouvi as pessoas dizerem que, tão logo começaram a levar a sério a vontade de crescer, suas vidas se tornaram  caóticas. Por exemplo, a primeira coisa que geralmente acontece quando você decide combater um vício é que ele piora.
Decida abandonar o cigarro, o álcool, o chocolate ou o namorado que não serve para você e tudo o que você conseguirá é pensar no cigarro, no álcool, no chocolate ou no namorado que não serve para você. No momento em que anunciamos que queremos ser mais pacientes, a vida repentinamente se torna uma constante frustração. O tipo de lamúria a essa altura é: “O que eu estou fazendo de errado?” Absolutamente nada. Você está bem dentro dos planos. O caos é um sinal de que a mudança está se processando. O desafio à sua forma antiga explodiu como uma bomba no status quo, e o sistema de defesa acendeu o alerta vermelho.
A primeira vez em que decidi conscientemente levar a sério minha vida espiritual, meu mundo particular imediatamente virou de pernas para o ar. Àquela altura, passei alguns anos estudando várias teorias na área da psicologia e tinha a ilusão de que me conhecia muito bem. Mas, quanto mais eu estudava, meditava e frisava quais eram as minhas aspirações, mais confusão experimentava. Finalmente, consegui deixar de resistir ao processo e comecei a perguntar como entendê-lo.
Em Espírito, foi-me apresentada uma imagem em movimento. Ao fundo, havia uma coroa de ouro e, em primeiro plano, um círculo de fogo. Vista à distância, daquele círculo em direção à coroa, havia uma série ininterrupta de círculos de fogo. Os primeiros dois círculos estavam a algumas polegadas de distância, os dois seguintes a apenas uma polegada, aproximadamente. Conforme os círculos iam se aproximando da coroa, a distância entre eles ia ficando cada vez menor, até se tornarem uma parede de fogo. Compreendi que a coroa de ouro não era uma recompensa pelo feito; ao contrário, representava uma parte do autodomínio pessoal. Quando buscamos a coroa do autodomínio, tudo o que há dentro de nós que não está sujeito a esse domínio pessoal procura revidar. Quando partimos por esse caminho, primeiramente atravessamos um único círculo de fogo e experimentamos um certo alívio. Mas, quanto mais determinados estamos nessa busca, mais as resistências surgem, até que, ao nos aproximarmos do objetivo, elas se tornam uma parede de fogo contínua.
Quando passamos pelo fogo da resistência,  os medos de determinada existência começam a se acender. Eles queimam e, por um momento, tudo parece ficar chamuscado. Isso não significa necessariamente que estamos fazendo a coisa errada.
É bem possível que a estejamos fazendo da maneira perfeitamente certa. Cada coroa do autodomínio que pretendemos alcançar, por menor que seja, vale a pena. Porém, durante o período de resistência à mudança, não parece ser assim.
Se nunca examinamos as crenças que herdamos dos pais, professores, pastores durante a resistência, algumas pessoas sentem como se a culpa, a vergonha, as fúrias gritantes da dúvida e do medo tivessem sido liberadas. Outras vão descobrir que seu ego está revidando com a voz macia e fria da lógica: “Muito bem, eu sei que essa idéia o atrai, mas vamos examinar os fatos com calma, está bem?” É claro que essa voz, geralmente, refere-se aos fatos antigos, familiares. Ela é a mestra da racionalização.

As 7 Etapas de Uma Transformação Consciente, p. 137

Foto: Iluso

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