O efeito borboleta

A alteração crítica no crescimento ocorre quando o desejo de mudança é maior do que o medo do processo. Quando temos cinqüenta e um por cento de amor a Deus, ultrapassamos a curva. Até mesmo as batalhas mais dramáticas têm um sabor diferente quando compreendemos que o resultado já foi definido no momento em que dissemos: “Eu quero a verdade.”

Nem sempre contamos com muito apoio no nosso meio ambiente quando a luta começa. As pessoas e circunstâncias em torno de nós não estão necessariamente mudando apenas porque nós estamos mudando. O nosso meio pessoal foi construído sobre os ímãs do passado. Nosso emprego, nossa religião, nossos amigos, hobbies, atitudes, relacionamentos pessoais, todas as nossas preferências, vícios e atitudes vêm espelhando constantemente as criações que fizemos até o momento. Comece a mudar e o espelho se quebrará.
Na área das ciências, a teoria do efeito borboleta diz que o ar dos Estados Unidos sofre alterações quando uma borboleta bate as asas no Japão. Imagine então o impacto que ocorre num relacionamento quando você introduz uma mudança, mesmo que sutil. Os relacionamentos são harmoniosos, em grande parte, devido a realidades e papéis a respeito dos quais há concordância. Eles funcionam bem até que um dos parceiros comece a mudar e o outro seja ameaçado.  É muito comum, depois de uma conferência, depois de um curso ou de uma sessão terapêutica, onde realizamos uma importante mudança na percepção, voltarmos correndo para casa cheios de entusiasmo — e entrar em colapso imediatamente. Estamos prontos para mudar, mas o nosso mundo está exatamente lá onde o deixamos, e todas as velhas defesas se insurgem. A família e os amigos não têm idéia do que estamos dizendo; com freqüência, eles podem sentir-se tão
profundamente ameaçados que se tornam acusadores: “Você não é a garota com quem me casei.” “Você mudou.” “Você não foi educado assim.” “Você está abandonando o barco no momento mais difícil.” O “momento difícil” é provavelmente qualquer coisa que está do outro lado da percepção que eles têm de nós e da realidade. Mas isso não serve de consolo quando estamos tentando conciliar uma visão interior nova, frágil e que não está integrada com um relacionamento antigo e já estabelecido.
Costumo prevenir as pessoas que  passaram por experiências relacionadas com o despertar para que se fundamentem bastante antes de abandonar o cenário que escolheram para aguardar as ”novas vidas”. Há muitas técnicas para fazer isso.
Uma é simplesmente diminuir a velocidade, respirar fundo e inserir os novos sentimentos num contexto saudável. É importante lembrar que a família, os amigos e os companheiros de trabalho não partilharam das experiências que tornaram possível essa mudança. Eles podem ficar espantados com as novas idéias ou não se interessar por elas. E certamente ninguém muda por imposição.
Muitas vezes, tudo o que a outra pessoa precisa é de uma afirmação de que não vamos deixá-la pra trás. Quando vivemos com a nova visão interior, essa característica gradualmente se torna parte daquilo que somos. As outras pessoas em nossa vida aprenderão muito mais com a nossa demonstração viva do que com exigências ou proselitismo.  Um dos melhores conselhos que eu conheço para aceitar essa situação foi
dado pelo poeta Rainer Maria Rilke a um jovem escritor em Cartas a um Poeta: “Mas tudo o que pode algum dia vir a ser possível para muitos, o homem solitário pode preparar e construir agora com suas mãos, que erram menos. Portanto, caro senhor, aprecie a sua solidão e suporte com um lamento suave o sofrimento que ela lhe causa. Isso porque, quando aqueles que agora estão perto de você estiverem longe, então a sua distância já estará entre as estrelas e será muito ampla; alegre-se com o seu crescimento, para o qual, naturalmente, não pode levar ninguém junto e seja gentil com aqueles que ficaram para trás, e mantenha-se firme e calmo diante deles, e não os atormente com a sua confiança ou alegria que eles não são capazes de compreender.”
“Procure você mesmo algum tipo de comunhão simples e leal com eles, que não precise mudar necessariamente à medida que você mesmo for se tornando diferente; ame neles a vida numa forma não familiar e tenha consideração para com os idosos, que têm medo da solidão na qual você confia. Evite contribuir para o drama que sempre se mantém tenso entre pais e filhos; ele desgasta grande parte da energia das crianças e consome o amor dos mais velhos, que é eficaz e acolhedor mesmo sem tomar consciência. Não peça conselhos a eles e não conte com compreensão alguma, mas acredite num amor que está sendo armazenado para você como uma herança e tenha a confiança de que nesse amor, há uma força e uma bênção para além das quais você não precisa se adiantar a fim de ir muito longe.”

As 7 Etapas de Uma Transformação Consciente, p. 146

Foto: Mindfulness

2 comentários sobre “O efeito borboleta

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