QUARTA ETAPA: O despertar

Quando a forma é desafiada e a resistência tolerada, segue-se o despertar. O despertar é o avanço nas linhas inimigas — a visão interior que provoca a alteração crítica do velho para o novo.
O “Ah! Agora entendi” do despertar sempre parece chegar de repente. Mas isso é só aparência. Na verdade, foi concebido na luta, nos estágios anteriores, e nasceu com aquele “Eureka!”
Essa parte da transição é muito alegre. A formulação Por que não! substitui o Sim, mas. A mágica natural da sincronicidade traz novas idéias, novas experiências, novas pessoas, novos livros e até mesmo novos sonhos para dentro de nossas vidas.

O estado de espírito é exploratório à medida que o nosso desejo se altera. O cérebro direito, portal do eu intuitivo, começa a  enviar novas informações para fora, novos tipos de resposta a velhas questões. Em pouco tempo, começamos a compreender que o nosso mundo ficou maior para sempre.

 Veja o Sol
No ciclo de resistência, nós fazemos a pérola. No ciclo do despertar, nós a trazemos à superfície.
Logo quando pensamos que não vamos agüentar a tensão da resistência nem mais um minuto… quando estamos fartos… convencidos de que não há respostas… cansados de ambivalência… quando estamos prontos para abrir mão de tudo… ou realmente abrimos mão de tudo…  Eureka! De repente, lá está a resposta, a orientação, a visão interior, a doce solução para o conflito que nos vinha consumindo.
Entramos no ciclo de mudança relativo ao despertar. Que alívio! Que mágica! Que alto
astral!
O despertar pode chegar aos poucos, com a mesma delicadeza com que o amanhecer faz desaparecer a noite. Ou então pode explodir sobre nós inesperadamente, como o sol de verão perfura as nuvens da tempestade.
O despertar pode chegar quando cedemos à força do “eu não sei” e começamos a ver novas opções. Ele pode chegar com um encontro casual, durante uma conferência ou pelo correio. Porém, se o período da resistência for muito longo, desconfie. Como disse um amigo: “Estou vendo uma luz no fim do túnel. Só espero que não seja um trem chegando.”
Para o astronauta dr. Edgar D. Mitchell, o despertar chegou a bordo de uma espaçonave. Ele escreveu que sua visão a respeito da vida e da realidade mudou no momento em que viu o planeta Terra do espaço. Ao ver o nosso mundo como “uma jóia verde e azul engastada no céu da meia-noite”, com uma súbita visão interior ele compreendeu que havia um Deus, que havia ordem e um plano para esta Terra. Mas seu momento de êxtase foi imediatamente seguido por uma negra depressão quando ele percebeu o quanto estávamos pondo em perigo a Terra. Ele voltou daquele vôo com o compromisso de gastar o seu tempo e os seus recursos com o engrandecimento da consciência humana. Para realizar sua visão, fundou o  Instituto de Ciências Noéticas que, por meio de publicações, pesquisas e programas públicos, dedica-se a um campo de debates estimulante entre as ciências físicas e espirituais.
O despertar não chega porque nós assim queremos mas porque o desejamos em algum nível da consciência. Ele pode surgir do desejo sincero de resolver o conflito que estamos enfrentando, ou então do desejo mais profundo, inconsciente, do plano da nossa alma — ou de ambos. Porém, não importa se vem de repente ou gradualmente: o despertar nos transporta para o nosso próximo estágio de crescimento.
O despertar não é nada acidental. No nosso caminho de vida, todo grande passo é cronometrado pela nossa alma. O despertar nos faz olhar para o nosso relógio interior e reconhecer que estamos em cima da hora.
Durante a resistência, porém, podemos fazer uma pausa quando sentimos que não estamos dirigindo o carro, que não podemos mudar o roteiro. Tudo parece estar congestionado ou fora do nosso controle. Isso pode ser tão frustrante, tão doloroso, que há uma grande tentação de “fazer alguma coisa, mesmo que esteja errada”.
Nessas fases, o melhor que podemos fazer é não fazer nada ou aquilo que se parece com nada. Não resistir a uma situação que não podemos alterar é um “feito” muito eficaz por si só. Isso retira a energia que alimenta a situação difícil. Quando investimos nossas energias em alguma coisa, nós fortalecemos essa coisa. Mas quando afastamos a raiva, o medo, a negatividade que está juntando os dois lados da resistência, não há energia que possa mantê-la em atividade. Com muita freqüência, é aí que começa o despertar.
A não-resistência não é passiva. A passividade sugere falta de força. Mas a não-resistência é muito forte. Ela significa que estamos escolhendo conscientemente aquilo que desejamos fortalecer. A não-resistência é a ação da sabedoria que avalia uma situação e chega a entender que nada se ganha em lutar contra ela. Assim que decidimos descontrair-nos e aceitar uma situação ou uma ambivalência que não podemos mudar no momento, torna-se muito mais fácil aproveitar nossos próprios recursos para encará-la de frente. A essa altura, todo o nosso senso de humor, nossa capacidade de análise e nossa objetividade voltam a fluir.
O Taoísmo nos ensina a Wu-Wei, a arte de consumar algo não fazendo nada. Nada é forçado; nada é desfeito. Como dizia Tolstói, “Há um movimento infinito dentro de um momento de descanso”.  “Mas se não podemos forçar o surgimento de um despertar”, perguntamos, “se não podemos acelerar a viagem, então o que é que devemos fazer? Por que nos preocupar?”
Bem, para os iniciantes, se não estivermos prestando atenção, é possível que não reconheçamos o despertar quando ele chega. Nós chegamos ao ponto do despertar precisamente porque já chegamos lá. Ele faz parte dos enigmas cósmicos.
Podemos preparar o solo, plantar as sementes, fertilizar e capinar — mas temos de esperar que a natureza faça o resto. O tumulto na psique durante a resistência é uma parte necessária do ciclo de crescimento. Quando revolvemos o solo para o plantio na primavera, trazemos à superfície não apenas a terra rica e argilosa, mas também as pedras. A aceitação de ambos mostra-nos as possibilidades, assim como aquilo que tem de ser eliminado.
Parte de nossa prontidão para o despertar consiste em confiar naquilo que achamos que é Deus, em confiar no nosso plano de vida, em confiar que estamos ligados a tudo o mais no universo. Confiar é a lei universal da atração. É a essa altura que começamos a entender que não temos de implorar, de atropelar ou de manipular o universo — apenas temos de nos descontrair no lugar que nele ocupamos.
Recentemente, um médico me escreveu uma carta que dizia: “Acho que finalmente compreendi que o progresso espiritual não é algo que eu consiga compreender. Mas se eu simplesmente continuo com minhas práticas espirituais, então eu mudo, as coisas mudam e eu não tenho de compreendê-lo ou manipulá-lo. Que grande bênção.”

As 7 Etapas de Uma Transformação Consciente, p. 154

Foto: Lady Bug

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